Muitas mulheres enfrentam todos os dias muitas dificuldades em amamentar, por "n" fatores, já no hospital muitas escutam que seu leite não sustenta, que é fraco (isso não existe), depois alguns pediatras reforçam o coro..poucos incentivam a livre demanda, tão importante no inicio e receitam as famosas fórmulas!
Assim como no parto, os médicos se colocam na posição de protagonista e tiram da mulher seu direito de parir e amamentar ( Aqui vou abrir um parenteses e dizer que SIM existem casos que tanto a cesárea quanto o leite artificial são necessarios, mas 90% das mulheres são capazes de parir e amamentar..e é examente o contrario que acontece).
Para amamentar precisa ter disposição e muita vontade, no começo doi, machuca e é muito dificil seguir em frente, e ainda temos que lidar com olhares machistas e preconceituosos..
Acabei de ler um texto muito bom sobre isso, e queria dividir com vocês.
O texto é da Analy Uriarte:
Aos que criticam a amamentação pública, em especial Marcelo Tas, Rafinha Bastos e CQC
Humor tem dessas coisas: gosta de rir de si mesmo.
Quando assisti ao vídeo do CQC, senti uma enorme vontade de rir... de alegria! Finalmente estava aí escancarado o pensamento comum de toda uma sociedade. Aí estão as frasesinhas de escárnio e ridículo que lá nos idos de 2000, grávida do meu primeiro filho, me faziam pensar em amamentar, no máximo, os quatro meses da licença e sempre no quartinho do fundo, devidamente oculto nesse ato sigiloso e privado que eu, aos 34 anos jamais havia visto de perto.
Quando meu filho veio para meus braços no quarto da maternidade, diante de todas as visitas (incluindo sogro), eu baixei a camisola, saquei a teta e dei-lhe de mamar. Isso foi um ato não pensado e totalmente contrário à minha criação. Afinal, meus seios são escondidos desde que se rebelaram na minha adolescência: primeiro os mamilos, com camisetas que não deixavam a blusa do colégio tão transparente. Logo, quando começaram a ganhar peso e volume, foram rapidamente imobilizados dentro de um soutien. E a promessa é que seriam liberados na hora certa, para a pessoa certa. Isso aconteceu vários namorados e mais de vinte anos depois quando conheci meu primeiro filho.
Como mulher, a amamentação revela no meu corpo um poder que nenhum homem pode experimentar: o de fornecer alimento através do meu alimento e promover a vida, mamada após mamada. Sim, é uma visão poderosa, a de uma teta em ação, na sua função primária. Com certeza, ao se tornar protagonista, a teta deve assustar seus antigos usuários, por isso os comentários tão cortantes e pedidos quase suplicantes de levar a amamentação para outro lugar (banheiro) ou pelo menos usar um "paninho" (veja vídeo CQC).
Quando algo tem uma função muito conhecida, pode ofuscar sua utilidade primordial. Por exemplo, se a visão de seios fartos é associada, dia após dia com cerveja, êxito profissional e conquistas sexuais, fica difícil fazer a volta aos prazeres mais simples da vida: o de ser cuidado, amado incondicionalmente e de estar seguro, independente de quanto dinheiro você faz ou de quanto viagra você precisa. Esses são os valores associados ao ato de amamentar que se tornam públicos em tetas inchadas de leite... e não vendem nada, nadinha.
Mas as mulheres ganharam as ruas há algumas décadas, como já é notório. A presença delas é necessária e não só como co-autoras, mas como protagonistas de seus trabalhos e de suas vidas. E a amamentação, uma atividade essencialmente feminina vai acompanhar, quer vocês queiram, quer não.
Não nos peça para usar paninho porque a cena é forte demais. Entendam, todos vocês, com sorte, foram levados a uma teta poderosa em algum momento de suas vidas. É uma realidade da vida, como o sexo, a morte e o nascimento. E ao contrário dos outros exemplos, que podem exigir certa privacidade, a amamentação pode acontecer de maneira mais corriqueira do que se imagina. Vou ilustrar.
É impossível fazer compras num Hiper Mercado sem amamentar: o tempo gasto, o movimento, as mudanças de temperatura, ruídos, vozes, é quase certo que seu bebê, com qualquer idade menor de um ano, vai querer dar uma mamadinha nem que seja por sede ou para assegurar-se de seu porto-seguro. Sim, porque amamentar é um ato de prevenção contra doenças tantas físicas quanto psicológicas. Através da teta, damos segurança a nossos bebês. Segurança que o mundo é bom, o leite é farto e mamãe está perto. Portanto, não é falta de organização que leva à amamentação em lugares públicos, é inerente ao trabalho de alimentar a próxima geração.
Finalmente, entendo a sensação de desgosto ao ver essas tetas todas em ação, e domingo vão ter muitas mais no Mamaço Nacional que em São Paulo acontece no Parque do Ibirapuera, às 14h. A nova ordem proposta por essas mães e suas tetas à mostra provocam em muitas pessoas a sensação de perda de uma era que já acabou.
Mas façam o seguinte: olhem só para os bebês, contentes da vida, talvez mais contentes do que vocês jamais foram. Eles terão menores chances de terem pelo menos 3 doenças crônicas da nossa era (obesidade, diabetes e doenças respiratórias), promessa de índices mais elevados de QI, prevenção de câncer e doenças cardíacas nas mães (esses bebês adoram suas mães) e uma sensação geral de satisfação com a vida!
Fixem-se nos bebês e creiam num mundo melhor onde as mulheres em todas suas fases, possam ser publicamente aceitas... inclusive nos dois anos que a OMS recomenda como tempo ótimo de amamentação.
Sejam homens e vejam o Mamaço pelo lado do bem comum. Se o Itaú Cultural assinou embaixo promovendo o Mamaço no mês passado, se eles entenderam, tenho plena confiança de que vocês também vão. Fixem-se nos bebês!
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